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espaço da raquel

para escrever tudo o que me vier à cabeça, e partilhar cenas daquelas (coiso e tal, e tal e coiso) não me levem muito a sério, tenho mau feitio, mas no fundo sou boa pessoa..... (apesar de não jogar com o baralho todo)

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para escrever tudo o que me vier à cabeça, e partilhar cenas daquelas (coiso e tal, e tal e coiso) não me levem muito a sério, tenho mau feitio, mas no fundo sou boa pessoa..... (apesar de não jogar com o baralho todo)

07.Fev.19

Sim, já fui cuidadora. É difícil, e violento

Está em estudo a criação do Estatuto do Cuidador Informal. O Governo aprovou recentemente a proposta de Lei de Bases da Saúde mas sem reconhecer o Estatuto do Cuidador Informal, algo que segundo a ministra da Saúde não era necessário estar contemplado na dita proposta. Mas algo terá de mudar, e garantir esse estatuto a todos aqueles que diariamente cuidam de familiares e entes próximos.

Já fui cuidadora, e sim é difícil, e violento. Chegamos a uma altura da nossa vida, em que pura e simplesmente deixamos de existir, deixamos de ser pessoas comuns, com vidas normais, com horários regulares, passando horas a cuidar, e apoiar a pessoa de quem cuidamos com toda a atenção, e amor, mas também com uma mistura muito dura de um desgaste tanto físico como psicológico. Ninguém nos prepara, ninguém nos diz como fazer, como agir, como tratar. Fazemos de coração, por nosso conta, e muitas vezes por nosso risco, porque existem situações mais difíceis do que outras, como por ex. cuidar de pessoas que estão totalmente dependentes. Temos toda uma vida com obrigações morais, mas também profissionais, em que muitos destes casos não são bem vistas, nem compreendidas pelas empresas onde todos temos de prestar a devida informação sobre ausências, e noites mal dormidas, e acompanhamentos a médicos, consultas, tratamentos. Muitas vezes somos olhados de lado. Eu fui, tantas, e tantas vezes. E foram-me negadas e também exigidas coisas que supostamente não teriam sido se tivesse algum tipo de lei/estatuto que me protegesse.

Existem muitas pessoas  que diariamente, sem cessar, cuidam dos seus familiares. Fazem um trabalho excepcional, que não é reconhecido, e não tem quaisquer direitos. Algo tem de ser feito, e não é apenas um Dec. lei que um estatuto desta dimensão poderá ser reconhecido, terá de ser um tema pensado profundamente para que o mesmo consiga garantir as condições, e apoios necessários a todos os cuidadores, e também a todos aqueles que dependem de cuidados especificos de saúde. Desejo sinceramente que haja bom senso,   sensibilidade, e cuidado na elaboração do referido estatuto, porque é urgente que algo mude.

4 comentários

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    espaço da raquel 07.02.2019


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    Anónimo 09.02.2019

    Sem dúvida. Concordo com todo o conteúdo do texto que está muito bem elaborado. No entanto eu ainda acrescentaria que por vezes o cuidador também já precisa que alguém cuide dele. Eu sou o cuidador da minha esposa que é portadora de esclerose múltipla, com bexiga neurogénica, precisando que lhe sejam feitos vários esvaziamentos vesicais ao longo do dia, a esclerose múltipla também já lhe afetou os intestinos, precisando da minha ajuda para fazer as suas necessidades e tem 94% de incapacidade. Eu já tenho 70 anos, sou portador de doença cardíaca com alguma gravidade, vivemos só os dois e não temos nenhum apoio de ninguém. Eu por vezes nem tenho tempo para ir às minhas consultas porque tenho que dar apoio à minha esposa.
    A minha esposa já escreveu cartas para a Segurança Social e esta nem responde às questões mais simples que lhe são colocadas.
    Desculpem, se porventura estou a abusar deste espaço.
    Obrigado à autora do blog.
    Fernando Santos
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    espaço da raquel 11.02.2019

    Olá Fernando,
    Não abusa nada, escreva à vontade. Também partilhei um pouco da minha história, aliás, muito pouco dela. E sim, tem toda a razão, precisamos muitas vezes que cuidem também de nós, e não acontece. Se acontecer, somos nós que procuramos por nossa conta e risco ajudas. E eu tive de procurar, a nível psicológico fiquei devastada... já nem falo na parte física...
    A Segurança Social é uma vergonha no que toca a estas ajudas tão importantes, e que falamos aqui.
    Espero que algo mude, que algo se faça, porque cuidar de alguém, e deixarmos a nossa vida um pouco de lado é dilacerante, e dia após dia, deixa marcas, e bem profundas.
    Desejo que as coisas melhorem para si e para a sua esposa, e que se consiga algo num futuro próximo para tudo isto não ser tão penoso.

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