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espaço da raquel

para escrever tudo o que me vier à cabeça, e partilhar cenas daquelas (coiso e tal, e tal e coiso) não me levem muito a sério, tenho mau feitio, mas no fundo sou boa pessoa..... (apesar de não jogar com o baralho todo)

espaço da raquel

para escrever tudo o que me vier à cabeça, e partilhar cenas daquelas (coiso e tal, e tal e coiso) não me levem muito a sério, tenho mau feitio, mas no fundo sou boa pessoa..... (apesar de não jogar com o baralho todo)

O Loy tinha mesmo de existir

Desde que me lembro sempre quis ter um cão, sempre, sempre. E os meus pais sempre me disseram que não.

As desculpas eram sempre as mesmas, e mais do que muitas. Não temos casa para ter um cão, cães em apartamentos nem pensar, não temos vida, depois quem toma conta dele durante o dia, quem vai com ele à rua, e desculpas, e mais desculpas, claro está, perante tanta “dificuldade” e sempre com um redondo não, fui deixando de pedir, mas nunca esquecia que realmente desejava, e queria muito ter um cão.

Aos 20 anos sai de casa dos meus pais, e fui viver sozinha, e o cão nunca chegou, acho que aquela ladainha que sempre ouvi desde miúda me ficou entranhada, e pensava sempre nos “argumentos” que toda a minha vida tinha ouvido. E voltava a estar numa casa pequena, era realmente pequena, e isso para mim voltava a ser outra vez um “contra”.

Aos 40 anos, o Loy apareceu na minha vida. E apareceu por mero acaso. Andava a caminhar, e apareceu-me uma bolinha de pelo tão, mas tão pequenina, mas já com aquele ar de cão esperto, e cheio de vida. Foi ele que escolheu, veio de imediato para mim, nem para o meu marido foi. Chegou, e aninhou-se a mim, e naquele exacto momento soube que iria trazer aquele cão comigo, que iria trazê-lo para minha casa.

Perguntei por ali, se o cão tinha dono, se tinha alguém, as respostas (várias) foram sempre as mesmas, anda por ai sem ninguém, abandonado, sempre arás de outros cães como se procurasse companhia, ou até a mãe. Confirmaram-me que tinha meses.

E assim foi, trouxe-o comigo, e vinha num estado lastimável, cheio de pulgas e caraças, com o pelo todo sujo, cheio de pó, tremia de medo.

Imediatamente telefonei a um amigo meu que é veterinário, e lá lhe fez os “primeiros socorros”, as primeiras vacinas, viu se tinha alguma ferida, ou se tinha algum problema mais grave, aparentemente estava bem, e lá lhe colocou o chip.

A verdade, é que neste momento não consigo, nem quero sequer imaginar a minha vida sem ele, e também não consigo dizer em palavras o quanto gosto dele. Só sei dizer que é muito, muito.

O quanto ele me mudou.

Como compreendi tanto os afectos, e amor dos animais por nós, e de nós por eles.

Não ponderei, nem pensei em nada, e de repente tinha um cão. E se fosse agora, faria o mesmo, sem mudar nada, absolutamente nada.

É verdade que são muitas as responsabilidades, o tempo que temos de ter para eles, tempo de o passear, tempo de tratar dele. Tempo, tempo e mais tempo, e que muitas vezes é escasso.

Toda a parte sentimental, aqueles olhos quando olham para nós, e nos pedem aquela nossa comida cheirosa e apetitosa, e nós temos de dizer um pronto “não”, e a nossa vontade real, é darmos tudo, e deixá-lo saborear. Essa parte custa, os olhos do meu cão mexem com o meu coração, e o magano, sabe bem disso = )

A paciência para ver algumas das asneiras que fazem, embora o Loy tenha feito poucas, mas dois pares de Havaianas, e um tapete da cozinha ficaram em mil pedaços. Ficamos sem reacção, embora tenhamos de os corrigir, lá vêm aqueles olhos, e muitas das vezes torna-se difícil, muito …..!!!

Embora consiga ter quem fique com o Loy (os meus pais) não podia ter arranjado melhor casa, e agora sim, estão completamente apaixonados por ele, e perguntam-se o porquê de me terem dito sempre que não a ter um cão, mas ainda assim, eles sentem muito a nossa falta quando estamos fora e ficam com outras pessoas, por muito carinho, e bem tratados que sejam, sentem, e muito.

Toda a parte financeira, todos os cuidados médicos, que são caros. A alimentação, o espaço em casa (para o mínimo conforto do nosso patudo), as saídas que muitas das vezes não se fazem, os fins de semana que deixam muitas vezes de existir, porque certos lugares não aceitam animais como companhia, enfim, são muitas as situações.

Mas tudo compensa, e nada me faz pensar, nem sentir o contrário. Estamos juntos há dois anos, e cada vez me parece que já é a uma vida de tão intensos que são os sentimentos, e todas as vivências.

Ter um cão é o melhor do mundo, e a verdade é essa, só essa.

A lista de argumentos a favor é enorme, e não acaba.

Tudo, mas tudo vale a pena, porque o que ele me dá só com um olhar, compensa tudo, tudo o que possa existir neste mundo.

É isto que sinto pelo Loy, tenho o coração cheio, e é um amor sem fim. E sim, o Loy tinha mesmo de existir.

20444429_58MP0.jpg

 

 

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